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Waymo responde à Tesla: câmeras não chegam, nível L2 para L4 é um falso cume

Foto: Electrek →

Por André Santos 2 min de leitura

Srikanth Thirumalai, vice-presidente de software a bordo da Waymo, publicou um artigo com “10 lições de IA” extraídas de 200 milhões de milhas percorridas em modo totalmente autónomo. A Waymo não menciona a Tesla em nenhum momento. Mas as lições são uma resposta direta, ponto por ponto, às escolhas que definem o FSD.

As três críticas centrais

Câmeras exclusivas não chegam. A Waymo usa 13 câmeras, 4 unidades de lidar e 6 radares. Thirumalai escreve que “câmeras são incríveis, mas não chegam” e que o lidar captura geometria 3D com precisão milimétrica enquanto o radar deteta objetos em condições de baixa visibilidade. A Tesla apostou numa pilha Tesla Vision exclusivamente baseada em câmeras, o que Elon Musk já defendeu publicamente como a abordagem certa.

Redes end-to-end são caixas negras. O FSD v14 e v15 da Tesla assentam numa arquitetura onde o modelo converte input de câmeras diretamente em comandos de condução. A Waymo avisa: “sistemas E2E puros, onde um modelo recebe pixels brutos e devolve diretamente comandos de direção, correm o risco de falhas de caixa negra” e tornam a análise de decisões muito difícil.

Melhorar L2 até L4 é um falso cume. A lição mais direta: “simplesmente melhorar um sistema de assistência ao condutor (L2) para obter autonomia total é um falso cume. A verdadeira maturidade L4 só pode ser alcançada com segurança por um sistema construído de raiz para isso, validado em pistas fechadas e testado na experiência exigente de conduzir sem humano a bordo.”

O contexto dos números

A Waymo completa mais de 500.000 viagens pagas e totalmente autónomas por semana, com o objetivo de atingir um milhão até ao fim do ano. A Tesla reportou cerca de 380.000 milhas acumuladas sem supervisor até ao último earnings call, um valor que representa menos de 0,2% das milhas da Waymo.

A Waymo não tem presença no mercado de veículos de consumidor. A Tesla tem dezenas de milhões de veículos na estrada a recolher dados de condução. O debate entre as duas empresas é, no fundo, um debate entre abordagens diferentes: dados massivos com supervisão humana versus operação autónoma desde o início.

O que isto significa para Portugal

A abordagem da Waymo com múltiplos sensores é mais cara por veículo, o que dificulta a escalabilidade para o mercado de massa. A Tesla, se conseguir provar que a abordagem baseada em câmeras funciona, tem uma vantagem de custo significativa. Para os condutores portugueses que acompanham o FSD, este debate importa porque define qual das duas abordagens pode eventualmente chegar à Europa a um preço acessível.

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