Simplesmente Tesla
Tesla Cybercab em serviço: o que os testes mostram
O Tesla Cybercab entrou em serviço a 3 de setembro em Austin, Texas. O robotaxi é o carro elétrico mais eficiente alguma vez certificado, a 10,3 kWh por 100 km e com 472 km de autonomia declarada. Os primeiros testes de youtubers convidados revelam duas histórias distintas: a condução autónoma convenceu; o produto físico ainda precisa de trabalho.
O que distingue este carro
Dois lugares, sem volante, sem pedais, sem espelhos, sem pintura, 1412 kg. Cada ausência é uma decisão de design para um carro que nunca está parado. O motor de 219 cv dispensa terras raras e é 25% mais leve que o equivalente convencional. Os travões são totalmente elétricos, sem líquido de travões nem tubagens, projetados para 800.000 km.
Um detalhe importante e mal contado em todo o lado: o Cybercab tem ficha NACS e carrega nos Supercarregadores normalmente. O carregamento por indução existe nos planos, mas não está em serviço. O que falta é o carregador de corrente alternada a bordo. Só carrega em DC, o que faz sentido para uma frota em uso contínuo e nenhum para quem queira carregar em casa.
O que dizem os primeiros passageiros
O silêncio impressionou: 63 dB com vidro simples. O ecrã, o espaço para as pernas e a chegada personalizada por cor foram elogiados por todos. Em trânsito, com obras sem marcação no chão e peões a abrir portas de repente, a condução autónoma resolveu bem as situações.
As queixas são concretas. As portas de borboleta causaram situações de risco antes de entrar no carro. A marcha é pouco suave, com oscilações dentro da faixa. A suspensão é dura. O Everyday Chris relatou uma avaria a meio de uma viagem: a Tesla tentou reiniciar o carro à distância e não conseguiu. O Cybercab ficou parado às escuras, no meio da estrada, com trânsito a passar. No fim do vídeo, o mesmo criador disse que não sentiu medo da condução autónoma em momento nenhum. As duas coisas são verdade em simultâneo porque são problemas diferentes: um resolve-se com peças e software, o outro demorou dez anos.
A minha posição
Por enquanto, não se compra como particular. A Tesla recebe pedidos de contacto para frotas e fins comerciais. A venda ao consumidor está apontada para 2027 nos Estados Unidos, a cerca de 30.000 dólares. O custo de viagem em Austin anda nos 0,46€ por quilómetro, que compara com os 0,57€ de um robotaxi concorrente. O valor de 0,10€/km que Elon Musk anunciou é uma projeção para 2030, não o preço praticado hoje.
Para Portugal e Europa, não há data. A razão é estrutural: na Europa não existe autocertificação. O processo regulatório formal é o único caminho disponível e a aprovação europeia do FSD supervisionado ainda está por resolver, com França e Suécia a oporem-se. Portugal não está sequer na fila.
O que está aqui a acontecer vai mais longe do que as portas ou a suspensão. Este é o primeiro carro de produção desenhado desde o início para não ter dono. Quando tiras o dono da equação, muda a definição do que é um automóvel: de objeto passa a serviço.
No vídeo analiso em detalhe as reações dos criadores presentes, os relatos das avarias, os custos reais em Austin e a distinção entre o problema da condução autónoma e o do produto físico. Vê acima.
Criador do canal @AndreSantos-PT, focado em mobilidade elétrica em Portugal.