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Julho foi o pior mês de sempre em acidentes com Autopilot e FSD: 236 reportados, quatro mortais

Foto: Electrek →

Por André Santos 3 min de leitura

A Tesla reportou 236 acidentes com Autopilot ou FSD ativos em julho de 2026, o número mais alto de sempre num só mês. Quatro foram mortais. O Electrek cruzou os relatórios enviados à NHTSA com notícias locais e concluiu que em nenhum dos quatro casos se soube publicamente que o sistema estava ligado.

De onde vêm os números

Desde 2021, uma ordem da NHTSA obriga os fabricantes a reportar os acidentes em que um sistema de assistência de nível 2 esteve ativo nos 30 segundos anteriores ao impacto. A contagem mensal da Tesla tem subido ao longo do ano: 135 em março, 207 em maio, 209 em junho e 236 em julho.

Nos quatro casos mortais, a Tesla confirmou por telemetria que o sistema estava ativo. E, como faz em todos os relatórios, ocultou três campos: a descrição do acidente, a versão de software e se a estrada estava dentro da zona onde o sistema pode funcionar. Foi o mesmo que aconteceu no acidente de Clute, no Texas.

Os quatro acidentes

A 12 de julho, em Upper Marlboro, no Maryland, um Model 3 que fazia TVDE virou à esquerda sem dar prioridade a uma mota. Morreram três pessoas: o motociclista, a passageira da mota e uma passageira do Tesla. O relatório regista 32 km/h (20 mph). Virar à esquerda atravessando o trânsito em sentido contrário é uma manobra que o FSD faz e o Autopilot básico não.

A 15 de julho, em San Mateo, na Califórnia, um Model S de 2016 saiu da estrada, bateu num poste e ardeu. O condutor morreu. O sistema estava ativo a 84 km/h (52 mph).

A 20 de julho, numa zona de obras da autoestrada I-94, em Ashby, no Minnesota, um Ford chocou com um Tesla e um terceiro carro bateu nos dois. Morreram os dois condutores, de 73 e 24 anos. A descrição da polícia sugere que o Ford circulava em contramão, e o Electrek admite que a culpa provavelmente não foi do Tesla. O sistema estava ativo a 80 km/h (50 mph).

A 22 de julho, em Ione, na Califórnia, um Model Y de 2026 passou para a faixa contrária, tocou num Honda e bateu de frente num Cadillac a 87 km/h (54 mph). A condutora, de 25 anos, morreu. Uma criança de 2 anos que seguia no carro foi levada para o hospital.

Menos mortos no papel

Cada relatório regista apenas a lesão mais grave, não o número de vítimas. Em Upper Marlboro morreram três pessoas e em Ashby duas, mas cada relatório conta um só morto. As estatísticas feitas com estes dados, incluindo as que a Tesla usa para comparar segurança, partem de um número abaixo do real.

A GM, que tem um sistema comparável no Super Cruise, não oculta nenhuma descrição nos seus relatórios. A Tesla oculta todas.

O Electrek ressalva que um sistema ativo nos 30 segundos anteriores não prova que tenha causado o acidente. Sem a versão de software, nem se distingue o Autopilot do FSD. A Tesla já está a ser investigada pela NHTSA pela forma como reporta estes casos.

O que isto significa para Portugal

O FSD (Supervised) já está aprovado em seis países europeus e Portugal está na lista de espera. Quando chegar, continua a ser um sistema de nível 2: quem vai ao volante é legalmente responsável em todos os momentos, faça o carro o que fizer.

Enquanto a Tesla ocultar as descrições, ninguém de fora consegue separar um acidente causado pelo sistema de um em que ele não teve culpa.

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