Tesla Model Y com 100.000 milhas e quase sem carregamentos rápidos: a bateria degradou na mesma
Foto: InsideEVs →
Um Tesla Model Y com três anos de uso e mais de 160.000 km (100.000 milhas) percorridos apresentou uma degradação de bateria considerável, apesar de ter usado carregamento rápido DC muito raramente. O caso, analisado pela InsideEVs, questiona a crença comum de que evitar Superchargers preserva a bateria.
O que os dados mostram
O veículo carregou quase sempre em casa, em corrente alternada. Os carregamentos DC rápidos foram pontuais, bem abaixo da média do que se esperaria num carro com este número de quilómetros. Ainda assim, a perda de capacidade foi significativa, acima do que seria esperado para este regime de carga.
A InsideEVs apontou dois fatores prováveis:
Hábitos de carga. O proprietário anterior carregava habitualmente até 100% e descarregava a bateria quase por completo antes de ligar novamente. Este ciclo de amplitude total, repetido com frequência, é um dos fatores com maior impacto na longevidade das células de lítio, independentemente de a corrente ser AC ou DC.
Temperatura. O carro era originalmente da área de Palm Springs, na Califórnia, uma região onde as temperaturas diurnas ultrapassam regularmente os 38 graus Celsius (triple digits Fahrenheit). O calor extremo acelera a degradação eletroquímica de forma significativa, sobretudo em baterias de células NMC.
O que isto muda
A narrativa de “carregamento rápido estraga a bateria” é uma simplificação. O que os dados mostram, caso após caso, é que a temperatura ambiente e a amplitude de carga regular, ou seja, carregar sempre a 100% e descarregar completamente, têm um impacto muito superior ao número de carregamentos DC feitos num carro com boa gestão térmica.
Para baterias LFP, frequentes nos Tesla de entrada de gama, a situação é diferente: a química é mais tolerante a ciclos de amplitude total e ao calor. Mas para baterias NMC, típicas dos Model Y de maior capacidade, os hábitos de carga contam.
O que isto significa para Portugal
Em Portugal, os verões estão a tornar-se mais quentes e as temperaturas acima de 35 graus em julho e agosto são cada vez mais frequentes, sobretudo no interior e no Alentejo. Quem estaciona o Tesla ao sol durante horas tem um risco de degradação acelerada que não tem a ver com Superchargers.
As recomendações práticas não mudaram: configurar o limite de carga entre 80% para uso diário, evitar descargas totais frequentes e, sempre que possível, estacionar à sombra ou em parque coberto nos meses de verão. O carregamento rápido ocasional, com o carro a uma temperatura normal, é um fator secundário.
Fontes