GM e outras marcas apostam em baterias de anodo de silício antes dos sólidos chegarem
As baterias sólidas continuam a ser a tecnologia prometida para a próxima geração de elétricos, mas a maioria dos fabricantes não espera que estejam prontas para produção em massa antes do final da década. Enquanto isso, uma tecnologia intermédia está a ganhar tração: as baterias de anodo de silício, uma evolução das atuais baterias de iões de lítio.
“Acreditamos que o silício é a próxima tecnologia de anodo”, afirmou Kurt Kelty, vice-presidente de baterias e sustentabilidade da General Motors, na conferência GM Empower em São Francisco.
O que são e por que importam
O anodo é um componente crítico da bateria. Durante a carga, armazena iões; durante a descarga, liberta-os. Hoje, os anodos são quase universalmente feitos de grafite, um material dependente da China para mais de 90% do seu processamento e com limitações de desempenho conhecidas.
Reduzir a percentagem de grafite e aumentar a de silício melhora significativamente a energia armazenável. O problema do silício puro é que incha durante os ciclos de carga, pelo que as formulações atuais mantêm alguma grafite para estabilizar a célula.
A transição para anodos com mais silício já está em curso nos smartphones de gama alta. Agora, as empresas de baterias estão a adaptar a tecnologia para veículos.
Que melhorias são esperadas
A startup californiana Amprius Technologies afirma que um veículo com 498 km de autonomia num pack tradicional chegaria a 924 km com o seu anodo de silício. A Sila, outra empresa americana, diz que os seus anodos de alto silício aumentam a autonomia em 20% sem aumentar o volume do pack. A Sila tem uma fábrica de baterias em Moses Lake, Washington, já em operação.
A General Motors não especificou o calendário nem as melhorias concretas esperadas para os seus modelos, mas Kelty foi direto: “Estamos definitivamente fundo no silício.”
O que isto significa para Portugal
As baterias de anodo de silício vão chegar aos próximos elétricos sem grandes anúncios, integradas nos packs existentes. Para o condutor português, o impacto mais visível será maior autonomia e carregamento mais rápido nas próximas gerações de veículos, sem esperar pela promessa, ainda distante, das baterias sólidas.
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