Estudo em Bruxelas apanha o FSD da Tesla a excederem o limite em 55% das zonas de 30 km/h
Foto: Electrek (Tesla) →
Um teste independente feito em Bruxelas apanhou o FSD (Supervised) da Tesla a exceder o limite de velocidade em 55% das zonas de 30 km/h percorridas, com uma média de 44 km/h onde o limite legal é 30. O resultado chega a duas semanas do voto dos Estados-membros da UE sobre a aprovação do sistema em todo o bloco.
O que o estudo encontrou
A Johanna.be, uma associação de Bruxelas que defende a segurança de peões e ciclistas, testou o FSD durante três dias de julho, num total de cerca de 400 km, concentrados nas ruas de baixa velocidade onde o risco para peões e ciclistas é maior. Além das zonas de 30, o sistema também excedeu o limite de 20 km/h em 42% dos “woonerven” (ruas partilhadas) testados.
Parte do problema está na leitura dos sinais: segundo a Johanna, o ecrã do carro mostrava um limite de 50 km/h na maioria das zonas de 30 percorridas. O grupo documentou ainda o FSD a tentar ultrapassar ciclistas em ruas onde essa manobra é proibida pelas regras de trânsito belgas.
A associação reconhece que o sistema cede a peões e ciclistas, muitas vezes antes de ser obrigado a isso, mas considera que esse comportamento não compensa o excesso de velocidade sistemático nos locais onde um erro tem mais probabilidade de ser fatal. A Johanna já enviou as conclusões ao RDW holandês e ao ministério da mobilidade flamengo, a pedir que reconsiderem as aprovações antes do voto europeu.
O contexto da aprovação europeia
A Flandres aprovou o FSD (Supervised) em junho, depois de a Tesla completar 5.000 km de testes supervisionados em estradas flamengas. Desde então, Dinamarca, Bélgica, Estónia, Lituânia, Eslovénia e, esta semana, a Chéquia reconheceram a aprovação provisória do RDW ao abrigo do Regulamento 171 da ONU.
O Comité Técnico de Veículos a Motor da UE vota a 6 de outubro se estende essa aprovação aos 27 Estados-membros, o que exige maioria qualificada. A velocidade tem sido o maior obstáculo: em junho, a Suécia pediu à UE para rejeitar o FSD enquanto o sistema puder exceder limites, com a Noruega e a Finlândia a levantarem a mesma preocupação, e a França recusou reconhecer a aprovação holandesa em julho, citando velocidade e atenção do condutor nas cidades. A Tesla contrapôs com um estudo próprio a defender que o FSD não excede a velocidade de forma significativa face ao trânsito circundante.
O que isto significa para Portugal
Portugal ainda não tem FSD (Supervised) aprovado, mas o voto de 6 de outubro é o que decide se o sistema passa a estar disponível em todos os 27 Estados-membros, incluindo o mercado português. Um resultado favorável abriria caminho a uma chegada mais rápida do que a expectável até aqui. Casos como o de Bruxelas mostram que a discussão não é só regulatória: a fiabilidade do sistema a ler limites de velocidade em ambiente urbano denso, o tipo de ruas mais comuns em cidades portuguesas, é precisamente o que está em causa.
Fontes