China lançou 650 modelos de carros nos primeiros seis meses de 2026
Desde janeiro até ao final de junho de 2026, os fabricantes chineses lançaram ou renovaram cerca de 650 modelos de automóveis. Isso equivale a mais de quatro carros por dia durante seis meses seguidos. He Zhiqi, vice-presidente executivo da BYD, descreveu o número nas redes sociais como “completamente insano” e disse que o mercado doméstico na China é “não apenas feroz, mas brutal.”
Os dados, citados pela Bloomberg com base no China Automotive Technology and Research Center, incluem facelífts, renovações de meio de carreira e modelos completamente novos. Destes 650, foram lançados cerca de 30 modelos genuinamente novos por mês, sem qualquer antecessor na base de dados nacional de veículos chinesa.
A comparação que põe tudo em perspetiva
Para ter escala: em 2024, os EUA viram 29 lançamentos ou renovações para todo o ano. E um estudo do Bank of America Securities estima que, nos próximos quatro anos, serão lançados 159 novos modelos no mercado americano. A China fez mais do dobro disso em seis meses.
A razão para este ritmo acelerado é a pressão competitiva interna. As marcas chinesas estão numa guerra de preços aguda, com margens a cair, e a resposta tem sido introduzir novidades constantes para captar atenção e quota de mercado. A inteligência artificial ajudou a encurtar os ciclos de desenvolvimento, tanto no design como no software de bordo e nos sistemas de assistência à condução.
A BYD, que voltou a ultrapassar a Tesla nas vendas de VE, é o maior player desta corrida, mas não é o único: a SAIC, a Geely, a Chery e dezenas de marcas mais pequenas estão no mesmo ritmo.
O que isto significa para Portugal
Portugal vai sentir este ritmo nos próximos anos. Muitos dos 650 modelos nunca chegarão à Europa, mas alguns chegam, e com preços que os fabricantes europeus e americanos não conseguem igualar facilmente. A Xpeng, a BYD, a MG e a Leapmotor já estão em Portugal. Quanto mais modelos a China lançar internamente, mais opções existirão para exportar quando a pressão em casa apertar. Para o consumidor português, mais escolha e preços mais competitivos. Para a Tesla e para as marcas europeias, mais concorrência direta.
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